quarta-feira, 10 de julho de 2013

Memorias Frescas

Não passou muito tempo desde a ultima aventura em que me meti, um inter-rail pela Europa com percalços q.b. e uma chegada à estação de Sta. Apolónia um tanto ou quanto atribulada e incerta, e vejo-me outra vez dentro de um comboio  de longa-distância, desta feita em direcção a Tunes, de onde esperançosamente julguei ser mais fácil arranjar transporte até Vila do Bispo, ou se o dia ainda permitir para o cabo de S. Vicente.
Preenchem-me as memorias dos longas e proveitosas travessias em carris pela Europa, para além do agradecimento que as minhas costas me vão dar pela troca da pesada mochila pelos assentos confortáveis dos comboios. Tirando alguns e já esperados percalços, começa muito bem a viagem, embalada nos solavancos da carruagem. Hoje tenho apenas o mundo pela frente e uma gigantesca vontade de liberdade.



(...)


Chego a Lagos por volta das 10 da noite, irremediavelmente atrasado, pelo enos quanto ao tempo que me propunha fazer, as o tempo já não me interessa.
Faço uma busca rápida sobre possíveis locais para passar a noite e pela paragem de autocarros, na qual logo de manhã tentarei apanhar um autocarro para Vila do Bispo. Vou depois até ao centro da cidade, mas cedo procuro outras paragens, a cidade transborda de movimento, luz e sons agradáveis de uma panóplia de línguas diferentes... enfim de tudo aquilo a que fujo. Refugiu-me na marina a contemplar as aves e o sossego da água, faz-se sentir uma aragem marota, não vou tardar muito aqui, vou procurar um sitio sossegado e tentar montar a tenda.


(...)


Enquanto montava a tenda conheço Gabrielle, a minha vizinha por esta noite, vive numa auto-caravana, parada no Parque de estacionamento feito num descampado. Viu-me enquanto passeava os seus dois cães, e fez-me a visita oficial de vizinho, com simpatia informa-me que era uma área segura e que se necessitasse de alguma coisa, podia confiar na vizinhança.
Despediu-se desejando uma boa noite, e eu preparei-e para mais uma noite ao luar, embalado pelos sons distantes da cidade, durmo pacatamente e sem conforto algum. Hoje já não peço mais nada, já que encontrei tudo o que procurava.


"A noite é um tempo de mortal monotonia debaixo de um tecto, ao ar livre, pelo contrário, corre, ligeira entre os astros e o orvalho e os perfumes. De noite , as horas são marcadas pelas mudanças no rosto da natureza. O que se assemelha a uma morte momentânea para aqueles que se encafuam dentro de paredes e cortinas é um sono sem peso e vivo para quem dorme em campo aberto. Pode ouvir, toda a noite, a natureza a respirar, com o seu fôlego profundo e livre" 
R. L. Stevenson



 O parque de estacionamento que serviu de "hotel" na 1ª noite.


O passeio que se estende ao longo da Marina de Lagos

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