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Chegando a Vila do Bispo preparo-me mental e fisicamente, com uma bela bifana, para o meu primeiro dia de caminhada. Sigo afinal para o cabo se S. Vicente, embora o meu intuito fosse seguir até Pedralva, a norte, com este pequeno (grande) erro caminho para Sul, dou-me conta disso nos primeiros quilómetros do percurso, mas como não tenho datas fixas, continuo.
Os meus primeiros 15 km de caminhada são feitos com felicidade pelo meio do nada, com fugazes encontros com animais e pessoas, sinto-me livre e com o mundo pela frente, basta-me continuar a caminhar. Sento-me no fim da caminhada num espaço que fica entre o Forte de Beliche e o cabo de S. Vicente, uma vista simplesmente magnifica com estes dois monumentos e o mar a fornecer-me a recompensa pelo esforço da caminhada. Passo depois uma tranquila noite de descanso no parque de campismo de Sagres. Fiz o primeiro erro do percurso, mas foi um erro feliz.
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Tenho uma conversa interessantíssima com o motorista do autocarro que me leva até Lagos, de novo, não daquelas conversas sobre a metafísica das coisas, mas uma conversa simples e sobre os sonhos que cada um tenta realizar, concordamos que viajar é uma das melhores coisas da vida. Mais uma vez, tão absorvido numa conversa que parecia ser de velhos conhecidos, esqueço-me de fazer as apresentações. Mais um conhecido de nome desconhecido.
De Lagos, apanho transporte para Aljezur, onde penso passar a noite, amanhã retorno à Rota Vicentina em direcção a Odeceixe.
Aljezur fica-me guardado não como a imagem da cidade mas pelo sentimento oferecido pelas vistas do castelo, encontro dentro do castelo um planalto que oferece uma visão sobre toda a cidade e sobre o vastíssimo vale, que me faz sentir uma personagem num conto do mestre Tolkien. Sento-me e ouço, provavelmente, a melhor "Karma Police" de sempre. Invejo-me por ter semelhante paisagem à minha frente e infelizmente não poder compartilhar este momento com mais ninguém. Nunca me senti tão em casa, estando fora dela.
Igreja da Misericórdia de Aljezur
Vista do e sobre o castelo
Os mais fieis companheiros de um caminhante: a mochila e o bastão.
"Se me perguntassem o que queria ser - queria ser isto mesmo. Assim na eternidade te queria, minha alma, com o mesmo sonho, a mesma vida e os mesmos erros. Não te troco por outra alma."
Raul Brandão
Raul Brandão
Back in the day, yo as we learned
ResponderEliminarA man was not considered to be
Considered to be fully grown
Has he not gone beyond the hills
Has he not crossed the seven seas
Yeah, seven seas at least
Now all them jokers kept around
Just like the scarecrows in hometown
Yeah, scarecrows in hometown
From screen to screen they're travelling
But I'm a wonderlust king
I stay on the run
Let me out
Let me be gone
In the world beat-up road sign
I saw new history of time
New history of -
(...)
- Gogol Bordello
I travelled the world looking for understanding
EliminarOf the times that we live in
Hunting and gathering firsthand information
Challenging definitions of sin...
(...)
EliminarAnd presidents
And billionaires
And generals
They'll never know
They'll never know
What I have owned
What I have owned...
I am a wonderlust king.
Fiz uma viagem semelhante a esta, sozinha pela costa Alentejana mas de carro, e foi dos momentos em que senti mais paz interior. A viagem a pé está nos meus planos. Parabéns por esta iniciativa e pela partilha.
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